Fitoenergético

A SAÚDE EM SUAS MÃOS

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Artigos relevantes sobre a saúde.

Escrito por fitoenergetico em

Bactérias também podem ter várias personalidades

Micróbios ‘funcionam’ de maneira diferente mesmo quando são clones uns dos outros.
Seres vivos parecem ter mecanismo interno para gerar diversidade.

Nós, humanos, somos diferentes uns dos outros em infinitos aspectos. Somos tímidos e ousados, sardentos e branquelos, caminhoneiros e cabeleireiros, budistas e presbiterianos. Podemos morrer de câncer na terceira série ou viver um século. Temos impressões digitais.

Cientistas têm uma compreensão limitada de como surge essa diversidade. Algumas delas resultam das diferentes experiências que temos, do nosso período no ventre materno, passando pela infância, até a idade madura. Essas influências incluem coisas como os livros que lemos e o ar que respiramos. Nossa diversidade também tem origem em nossos genes – as milhões de diferenças tipográficas entre um genoma e outro.
Damos muito mais mérito à natureza do que à formação quando se trata de individualidade. É por isso que a idéia de clones reprodutivos causa tanto horror. Se genes significam identidade, então uma pessoa que carrega o DNA de outra não tem identidade própria.

Equívoco de pensamento

No entanto, há um grande equívoco nesse modo de pensamento, que não nos permite enxergar como a biologia – humana ou não – realmente funciona. Um ótimo exemplo que refuta esse raciocínio é a E. coli, uma espécie de bactéria que vive aos milhões no intestino de cada pessoa, inofensivamente. Uma E. coli típica contém cerca de 4 mil genes (nós temos cerca de 20 mil).

Alimentando-se de açúcares, o microrganismo cresce até que esteja pronto para se dividir em dois. Ele produz duas cópias de seu genoma, quase sempre conseguindo criar cópias perfeitas do original. O microrganismo individual se divide em dois, e cada nova E. coli recebe um dos idênticos genomas. Essas duas bactérias são, em outras palavras, clones.
Portanto, obviamente, a E. coli seria só natureza e nada de formação. Uma colônia descendente de uma única ancestral E. coli é composta somente de bilhões de primos idênticos, todos reagindo ao mundo com o mesmo conjunto de genes. Por mais que soe plausível, isso está longe de ser verdade. Uma colônia de bactérias E. coli geneticamente idênticas é, na verdade, uma multidão de indivíduos. Em condições idênticas, vão se comportar de formas distintas. Elas têm impressões digitais próprias.

Cada qual com um gosto

Em circunstâncias idênticas, alguns clones se cobrem de pêlos pegajosos que lhes permitem grudar em células hospedeiras, enquanto outros permanecem pelados. Alimente uma colônia de E. coli com lactose (o açúcar presente no leite) e algumas vão responder sugando a substância através de canais especiais e digerindo-a com enzimas especiais. Outras vão torcer seus narizes microbianos.
Essas peculiaridades da personalidade das E. coli podem representar a diferença entre a vida e a morte para a bactéria. Em tempos de estresse, alguns membros da colônia reagem produzindo milhares de moléculas tóxicas e depois explodem, matando as bactérias que não são da família. No entanto, seus clones companheiros sobrevivem e se desenvolvem com a ausência de competição.

 
Alguns vírus deslizam para dentro das E. coli através de um dos vários tipos de canais em suas membranas. Em uma colônia de bactérias geneticamente idênticas, algumas podem estar cobertas desses canais, como uma almofadinha de alfinete. Outras não têm nada disso. Os vírus vão matar os clones vulneráveis, enquanto outros clones sobrevivem.

Impacto humano

As peculiaridades das E. coli também podem representar uma questão de vida ou morte para nós. Algumas variações delas causam infecções no intestino, na bexiga, no sangue e até mesmo no cérebro. Em muitos casos, os médicos tentam matar as bactérias com antibióticos, que perturbam as atividades normais de seus genes e proteínas. Em uma colônia de E. coli susceptível, um antibiótico poderoso irá exterminar a maioria das bactérias, mas não todas. Algumas sobreviverão.
As sobreviventes escapam da morte porque estão presas em um estranho estado chamado de persistência. Elas quase não produzem proteínas e crescem muito pouco, quando crescem. Antibióticos não conseguem eliminar as bactérias persistentes porque não há nada nelas para atacar. A diferença entre células normais e persistentes pode ser encontrada em seu DNA. Depois que células persistentes sobrevivem ao ataque de antibióticos, algumas de suas crias voltam ao ritmo de crescimento normal e refazem a colônia. A maioria de seus descendentes serão bactérias E. coli normais. Mas algumas serão persistentes. A colônia continua sendo o mesmo grupo heterogêneo de clones.
A chave para entender as “impressões digitais” das E. coli é reconhecer que as bactérias não são máquinas simples. As moléculas de E. coli são flexíveis, agitadas e imprevisíveis. Em um aparelho eletrônico, como um rádio ou um computador, os elétrons fluem em uma corrente estável através dos circuitos da máquina, mas as moléculas de E. coli colidem entre si e perambulam. Quando uma E. coli começa a usar um gene para fabricar uma proteína, não produz uma quantidade crescente e regular. Ela explode, jorrando as proteínas segundo suas variações de humor. Um clone pode produzir meia dúzia de cópias de uma proteína em uma hora, enquanto o clone vizinho não produz nenhum.

Brilho variável

Michael Elowitz, físico do Caltech, demonstrou essa situação em um refinado experimento. Ele e seus colegas estimularam as E. coli a produzir suas proteínas para se alimentar de lactose. Elowitz e seus colegas adicionaram genes extras às bactérias para que, quando elas produzissem proteínas digestivas de lactose, também emitissem luz.
As bactérias, descobriu Elowitz, não produziram um brilho uniforme. Elas tremeluziam, às vezes vivamente, às vezes de forma leve. E quando Elowitz fotografou a colônia, ela não era um mar de luzes uniforme. Alguns microrganismos estavam escuros, enquanto outros brilhavam com intensidade.

Modelos matemáticos sugerem que as E. coli usam o ruído como uma forma de se protegerem. Uma colônia de E. coli não pode simplesmente esperar até que esteja submersas em antibióticos para passar à persistência. As bactérias estariam mortas antes disso. Em vez disso, o ruído faz com que algumas delas se tornem persistentes. Se elas forem derrubadas pelos antibióticos, pelo menos algumas irão sobreviver. Se os antibióticos nunca aparecerem, a maioria das bactérias poderá continuar a crescer e se dividir.  

Regra universal: ser diferente

As E. coli parecem seguir uma regra universal. Outros microrganismos exploram o ruído, assim como o fazem as moscas, as minhocas e os seres humanos. Algumas das células fotossensíveis dos nossos olhos são ajustadas para luz verde e outras para luz vermelha. A escolha é uma questão de sorte.
Nos nossos narizes, células nervosas podem escolher entre centenas de tipos diferentes de receptores olfativos. Cada célula escolhe um, e evidências sugerem que a escolha é controlada pela explosão imprevisível de proteínas dentro de cada neurônio. É muito mais econômico deixar o ruído tomar a decisão do que fazer proteínas que possam controlar centenas de genes individuais de receptores olfativos.
Genes idênticos também podem se comportar de maneiras distintas em nossas células porque um pouco do nosso DNA está coberto por átomos de carbono e hidrogênio chamados de grupos metila. Esses grupos podem controlar se os genes fazem proteínas ou permanecem em silêncio. Em humanos (assim como em outros organismos, como as E. coli), esses conjuntos às vezes se separam do DNA ou se ligam a novos pontos. O acaso puro pode ser responsável por alterar alguns deles; nutrientes e toxinas podem mudar outros.

Clones desiguais

Esses padrões diferentes também são a razão pela qual clones de humanos e animais não podem nunca ser réplicas perfeitas. O DNA de um gato pardo chamado Rainbow foi usado para criar o primeiro gatinho clonado, chamado de Cc. Mas Cc não é uma cópia xerox de Rainbow. Rainbow é branco com manchas marrons, bronze e douradas. Cc tem listras cinzas. Raibow é tímido. Cc é extrovertido. Rainbow é pesado e Cc é elegante.
A individualidade das E. coli deveria ser, no mínimo, um aviso para aqueles que resumem a natureza humana a qualquer forma de puro determinismo genético. Seres vivos são mais que simples programas executados por softwares genéticos. Até mesmo em microrganismos minúsculos, os mesmos genes e a mesma rede genética podem levar a destinos diferentes.

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Escrito por fitoenergetico em

 Se bem não fizer, mal também não fará !

A preocupação com a cura de doenças, ao longo da história da humanidade, sempre se fez presente. Sabemos que os alquimistas, na tentativa de descobrir o “elixir da longa vida”, contribuíram muito na evolução da arte de curar.

O Brasil tem uma das mais ricas biodiversidades do planeta, com milhares de espécies em sua fauna e flora. Possivelmente aqui a utilização das plantas – não só como alimento, mas também como fonte terapêutica – começou desde que os primeiros habitantes chegaram ao Brasil, há cerca de 12 mil anos, dando origem aos paleoíndios (índios da era paleozóica) amazônicos, dos quais derivaram as principais tribos indígenas do país. As primeiras informações sobre os hábitos dos indígenas só vieram à luz com o início da colonização portuguesa. Um pouco mais tarde, o padre José de Anchieta detalhou as plantas comestíveis e medicinais do Brasil como o feijão, o milho, a cevada, o grão-de-bico, a lentilha, o cará, o palmito e a mandioca (que era o principal alimento dos índios). Das plantas medicinais, especificamente, Anchieta falou muito em uma “erva boa”, a hortelã pimenta, que era utilizada pelos índios contra indigestões, para aliviar nevralgias, reumatismo e doenças nervosas.

Atualmente, os estudos de plantas medicinais no Brasil chamam a atenção de equipes multidisciplinares formadas por botânicos, biólogos, bioquímicos, farmacêuticos, médicos, laboratórios fitoquímicos e farmacológicos, centros de pesquisa e órgãos governamentais. Esse interesse é fruto do incentivo dado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) após reunião em 23 de maio de 1978 quando reconheceu a importância das plantas medicinais e das preparações galênicas na cura de doenças, recomendando a difusão, em nível mundial, dos conhecimentos necessários para o uso das plantas medicinais.

a história da medicina está intimamente ligada às plantas pois, somente em 1928, Friedrich Wohler sintetizou a uréia (substância orgânica) a partir de cianato de amônio (substância inorgânica), o que foi uma revolução no conhecimento da época, cuja concepção era de que uma substância orgânica só poderia ser sintetizada a partir de animais ou vegetais. Após este fato, a farmacologia moderna avançou para a situação atual de elaboração de medicamentos sintéticos, que dominou o mercado de fármacos por muitos anos. Apesar disso, a indústria fitoterápica movimenta hoje cerca de US$ 14 bilhões em todo o mundo, ou seja, 5% dos US$ 280 bilhões que circulam no mercado global de medicamentos sintéticos. No Brasil, o mercado de medicamentos em geral movimenta anualmente US$ 7 bilhões, sendo que os medicamentos fitoterápicos representam cerca de 4% deste total, ou seja, US$ 300 milhões.

Porém, de modo geral a população ainda recorre aos conhecimentos populares na hora de utilizar plantas medicinais (na maioria, plantas oriundas de fontes desconhecidas), por acreditarem que “se bem não fizer, mal também não fará”. Acreditar que as plantas medicinais são totalmente benéficas somente por serem plantas, pode ser muito perigoso. As substâncias produzidas pelas plantas são idênticas àquelas sintetizadas em laboratório pelo homem; apenas podem ser menos tóxicas devido às baixas concentrações encontradas nos vegetais ou pela interação direta ou indireta com outras substâncias existentes na planta. Esse conceito conferido aos chás e infusões deve ser revisto pois, se houver ingestão em excesso, ou se alguns componentes forem nocivos ao homem, os efeitos indesejados serão idênticos ou ainda piores que dos remédios sintéticos que seriam utilizados para a doença em questão.

É claro que, nesta situação, o fato de tomar uma chá para curar algum mal repentino não constitui uma negação do conhecimento científico e da necessidade de orientação médica mas, representa uma busca àquele homem dos primórdios da humanidade, época em que “tudo era mais natural e não havia tantas doenças”. A situação complica-se mais ainda ao considerar que, apesar de todo o aporte tecnológico para disponibilizar informações a respeito das plantas medicinais, o acesso a todo esse conhecimento ainda é bastante desigual.

Esse fato fica evidente quando se observa que mais de 50% da população brasileira faz uso de plantas medicinais, mas a boa notícia é que existem vários programas do Sistema Nacional de Saúde que visam maior utilização desta terapêutica, seja contratando médicos fitoterapeutas ou criando pequenas plantações para uso de pacientes de certos hospitais.

Um exemplo é o Projeto Farmácias Vivas da Universidade Federal do Ceará (UFC). Criado em 1984, ele tem as características de um programa de medicina social e foi organizado de acordo com as recomendações da Organização Mundial de Saúde. Teve como ponto de partida o Horto Matriz de Plantas Medicinais da UFC, órgão agregado ao Laboratório de Produtos Naturais. Alguns exemplos de seus objetivos são: oferecer assistência farmacêutica fitoterápica de base científica às comunidades públicas e privadas interessadas no emprego terapêutico de plantas da região sem fins lucrativos, estudar cientificamente as plantas medicinais, desde a fase de cultivo das espécies até a produção e distribuição de medicamentos fabricados a partir das plantas estudadas. O Projeto Farmácias Vivas já selecionou no Ceará 52 espécies que podem ter uso medicinal. Mais de cem espécies continuam sendo estudadas.

Enquanto não surgem mais projetos como esse, para levar uma vida saudável, como nos primórdios da humanidade, é preciso utilizar plantas medicinais com o maior critério possível.

Com o passar do tempo, o estudo da botânica evoluiu, pois o homem foi desenvolvendo um senso aguçado e, aos poucos, classificando e catalogando as espécies em função de seu uso para os mais diversos fins.

As espécies tidas hoje como medicinais ou tóxicas começaram a ser classificadas pelo seu uso prático. Muitas vezes, uma planta medicinal era descoberta simplesmente por apresentar uma morfologia semelhante a alguma parte do corpo humano e, assim, associada a este órgão no processo de cura.

As civilizações em todo o mundo foram juntando suas experiências de forma única, deixando acumular até nossos dias um vasto e inestimável conhecimento sobre as ervas, em grande parte comprovado pela ciência moderna.

No momento em que o primeiro ser humano surgiu no planeta, as plantas já existiam há mais de 400 milhões de anos. A utilização das plantas como medicamento provavelmente é tão antiga quanto o aparecimento do próprio homem, o que só aconteceu cerca de 50 mil anos atrás. Há registros antigos, como desenhos em cavernas, escritos e símbolos, que revelam uma ligação muito íntima do homem com a natureza, principalmente com as plantas. A evolução da arte de curar possui numerosas etapas, porém torna-se difícil delimitá-la com exatidão, já que a medicina esteve por muito tempo associada a práticas mágicas, místicas e ritualísticas.

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Escrito por fitoenergetico em

Alimentos

Geneticamente

 Modificados

 

Os alimentos transgénicos ou alimentos geneticamente manipulados começaram a ser introduzidos em maior escala no mercado mundial, particularmente no mercado americano, em 1996 e desde então os consumidores dos principais países europeus têm-se manifestado abertamente contra a introdução destes alimentos no mercado, particularmente sem uma conveniente rotulação que identifique claramente se os ingredientes utilizados num determinado produto alimentar foram ou não geneticamente manipulados.

Por tudo o que tenho lido e estudado sobre o assunto sou manifestamente contra a utilização de alimentos transgénicos e penso que corremos um enorme risco ao permitirmos que eles entrem em nossas casas, na maioria das vezes de uma forma totalmente escamoteada. Neste momento no mercado americano estão disponíveis transgénicos do milho, feijão soja, batatas, abóbora, papaia assim como leite e outros produtos lácteos derivados de vacas tratadas com uma hormona geneticamente manipulada (rBST) e existem já uma grande variedade de enzimas geneticamente manipuladas que são utilizadas pela indústria de processamento alimentar.

Caso não saiba, o feijão soja e os derivados do milho por exemplo, são utilizados em centenas de produtos existentes nas prateleiras dos supermercados, como margarinas, bolachas, iogurtes, chocolates, etc.

Na realidade a manipulação genética é uma experiência científica à escala mundial em que todos somos cobaias e da qual não se sabe minimamente quais vão ser os resultados. Enquanto que um produto farmacêutico requer muitas vezes 15 anos de testes rigorosos para ser aprovado (e ainda assim muitas vezes é retirado do mercado) os alimentos GM não foram sujeitos a um escrutínio rigoroso, tendo em consideração os efeitos a médio e a longo prazo na saúde e no ambiente. Isto, porque quem parece lucrar com todo este processo são meia dúzia de multinacionais que exercem uma enorme influência junto de governos e da “elite” intelectual e económica mundial. Segundo um artigo recente da “Time” já se testaram cerca de 4500 plantas GM e para as companhias de biotecnologia isto representa um aumento de vendas de 75 milhões de dólares para 1,5 biliões de dólares anuais em apenas dois anos.

A filosofia subjacente à manipulação genética é de que a natureza não é perfeita e de que a ciência pode substituir o seu papel, com melhores resultados: podemos ter melhores colheitas, evitar a fome no Mundo e ter espécies vegetais mais resistentes a pragas. Infelizmente, nenhum destes pressupostos está provado e os problemas mencionados existem e continuarão a existir enquanto não se alterarem muitas das realidades económicas e sociais modernas.

As colheitas GM são imprevisíveis e existem numerosos artigos nos principais jornais médicos avisando das suas possíveis consequências. O “New England Journal of Medicine” (um dos mais prestigiados jornais médicos mundiais) alertou para o risco do aumento de alergias mortais e criticou a FDA (Food and Drug Administration) por favorecer a indústria em detrimento da protecção do consumidor.

O que são na realidade os alimentos geneticamente manipulados?

São alimentos cujos genes foram modificados ou manipulados pelos humanos de forma a que exibem características que não teriam no seu estado natural. A engenharia genética cruza espécies que naturalmente não se cruzariam. Assim, por exemplo, cruzaram-se genes de um peixe em morangos e em tomates.

As culturas onde se utiliza mais manipulação genética são o feijão soja, o milho, colza e algodão. A maioria dos organismos GM existem em duas variedades: “resistente aos insectos” e “tolerante aos herbicidas”. As culturas resistentes aos insectos são também chamadas “pesticidas plantas” porque a planta é considerada (e regulada) como um novo insecticida. A planta à medida que cresce produz uma toxina de insecto em cada célula e durante toda a estação de crescimento. Quando comemos milho GM resistente a insectos, por exemplo, estamos a comer um pesticida.

Antigamente, um agricultor tinha que ter cuidado com a utilização de herbicidas porque estes podiam destruir a colheita. Agora a cultura é alterada geneticamente de forma que não seja danificada pelo produto químico. Como resultado, os agricultores podem utilizar muito mais pesticidas, que vão terminar no nosso prato à hora das refeições.

Ao mesmo tempo, quando os organismos GO são libertados no ambiente qualquer estrago que produzam é irreversível. Os organismos GO são organismos vivos, pelo que se podem multiplicar, mutar, reproduzir-se com outros organismos vivos, durante muitas gerações. Potencialmente, a poluição biológica produzida pelos organismos geneticamente manipulados é muito mais perigosa do que a poluição química ou nuclear.

A mim, estas técnicas assustam-me, porque acredito que existe uma ordem natural à qual não devemos e não podemos fugir. Brincarmos a Deus é perigoso, letal e demonstra uma enorme arrogância para com uma Natureza que é misteriosa, mas generosa, justa e perfeita. Existem formas de alimentar todo o mundo, se para tal, utilizarmos métodos de agricultura e estilos de vida mais equilibrados e sustentáveis.

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Escrito por fitoenergetico em

O

Amargo Doce Açucar

 

Sente-se cada vez mais esquecido, com dificuldade em concentrar-se, deprimido sem razão aparente?

O seu corpo está a ficar flácido e sistema digestivo funciona mal?

Tem dores de cabeças constantes?

Se respondeu sim à maioria destas perguntas é bem possível que esteja viciado num alimento nalguns casos mais difícil de abdicar do que algumas drogas ou medicamentos.

O açúcar branco, sacarose.

É verdade, o açúcar é uma substância aditiva (palavra moderna que se traduz por viciante) e dos poucos alimentos que nutricionalmente é completamente vazio (tem calorias, mas nada nos traz em relação a substâncias proteicas, minerais ou vitaminas) apesar de a maioria das pessoas comer uma quantidade diária aceitável deste moderno produto: o consumo médio na Europa é de 45 a 50 kgs de açúcar por pessoa por ano e a produção mundial ultrapassa os 50 milhões de toneladas por ano.

Antes da Revolução Francesa muito poucas pessoas consumiam açúcar (com excepção da classe rica, a única que na altura tinha cáries dentárias) e desde essa altura o consumo tem vindo a subir assustadoramente; actualmente podemos encontrar açúcar em produtos como o pão ou mesmo o sal, para além da enorme quantidade presente em chocolates, rebuçados, bolos de pastelaria, cereais de pequeno almoço, etc, etc.; na realidade a maioria de nós nem se dá conta do volume de açúcar consumido, uma vez que muitas vezes este está escondido nos mais diversos alimentos.

O problema com tudo isto é que o açúcar, apesar de doce, tem resultados muito amargos na nossa saúde e afecta muito mais do que apenas os dentes. Se come açúcar uma vez por mês isso não lhe trará provavelmente grandes transtornos, mas se não pode passar um dia sem este alimento (não é na realidade um alimento), então é possível que mais tarde ou mais cedo desenvolva problemas mais ou menos sérios.

O açúcar não é digerido na boca, chega muito rapidamente ao estômago, o que provoca uma reacção massiva de sucos gástricos. A reacção de secreção embala-se o que provoca a hiperacidez estomacal conduzindo à aparição de gastrites e úlceras estomacais.

Uma vez que a sua assimilação é feita ao nível dos intestinos e o açúcar não tem qualquer tipo de vitamina do grupo B, o organismo mobiliza as reservas de vitamina B do corpo. Uma vez que as vitaminas do grupo B regem os fenómenos de calcificação, o consumo da sacarose bloqueia a calcificação, conduzindo ao primeiro efeito de descalcificação dos ossos, dentes e sistema nervoso.

O açúcar descalcifica também porque provoca uma hiperacidez estomacal. Para mantermos um pH do sangue na zona da saúde, mobilizamos sais alcalinos que constituem a reserva mineral do corpo, particularmente sais de cálcio e de magnésio. Neste processo dá-se o segundo efeito descalcificante. Segundo alguns autores, uma colher de chá de açúcar rouba minerais ao organismo durante 3 horas seguidas.

O açúcar bloqueia o metabolismo de magnésio, um elemento sinergético de calcificação. O magnésio desempenha um papel importante nas moléculas que constituem os corpos imuno-protectores.

O açúcar tem um feito negativo sobre o sistema nervoso parasssimpático e os órgãos por ele comandados. O cerebelo torna-se mais passivo, o que diminui as capacidades intelectuais.

Segundo o Dr. Kendall, este produto provoca lesões arteriais e afecta o sistema cardiovascular.

O Dr. Brckitt demonstrou que a ausência de fibras no açúcar contribui para o aumento de diverticulite e de cancro no cólon.

A sacarose (significa açúcar, estou a evitar utilizar o termo tantas vezes) diminui as defesas do organismo, ao neutralizar a acção imunitária dos glóbulos brancos.

O açúcar é a causa número um da diabetes e contribui de uma forma muito séria para um problema muito comum nos tempos actuais, hipoglicemia ou níveis baixos de açúcar no sangue; se sofre de hipoglicemia e pensa que comer sacarose resolve o problema, está enganado - a sacarose cria um círculo vicioso de hipoglicemia do qual é muito difícil sair.

Para além de todas as razões enunciadas, que espero o façam pensar duas vezes sempre que decida comer este alimento, o açúcar contribui para a obesidade, trombose coronária e infecções primárias nos intestinos.

Provavelmente nesta altura já está assustadíssimo ou pensa que eu sou um doido radical numa cruzada anti-prazer. Acredite que não, o que estou a escrever é mesmo verdade e as verdades devem ser ditas, para que pelo menos possamos ter consciência daquilo que fazemos.

No que toca ao prazer, ao sabor doce, é possível obtermos o sabor doce através de alimentos muito mais saudáveis como o malte de cevada ou o malte de arroz, ou outros. Evite no entanto sucedâneos como o aspartame ou a sacarina, muito piores para a saúde do que o açúcar branco.

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Escrito por fitoenergetico em

SAL 

Amigo

ou

Inimigo

Nos últimos 50 anos, o uso do sal na alimentação tem sido cada vez mais desaconselhado e provavelmente a maioria das pessoas considera o sal como nocivo ou mesmo perigoso para a saúde.

No entanto, o uso apropriado de sal e a utilização de um sal de boa qualidade (ver caixa) pode desempenhar um papel importante, mesmo vital, na criação da saúde.

De acordo com as teorias nutricionais ayurvédica e chinesa o sal contribui para as seguinte funções:

  • Ajuda-nos a ficar mais centrados e mais focalizados devido às suas tendências fortemente yang (centrípetas e enraizadoras).

  • Torna os alimentos mais nutritivos e substanciais e dá energia e vitalidade.

  • Ajuda a digestão, contribuindo para a secreção de ácido clorídrico no estômago.

  • Estimula a função renal e um uso apropriado promove a absorção de cálcio e a utilização de nutrientes em geral.

  • O sal é considerado um purificador e como tal ajuda o organismo a eliminar toxinas.

Dum ponto de vista da ciência ocidental sabe-se que o sal desempenha um papel importante em determinadas funções fisiológicas, nomeadamente:

  • Ajuda a produção de bílis, que torna possível a assimilação de gorduras nos intestinos.

  • Aumenta os movimentos peristálticos do intestino, contribuindo para uma boa digestão.

  • Alcaliniza o sangue, um aspecto importante na manutenção da saúde e prevenção da doença, uma vez que a maioria dos alimentos modernos tende a acidificar o sangue.

  • O sódio ajuda a condução dos impulsos nervosos e também contribui para uma melhor contracção muscular.

Apesar de todos estes benefícios, um excesso ou uma má qualidade de sal podem produzir os seguintes transtornos:

  • Os chineses consideram que se ingerirmos demasiado sal nos podemos tornar excessivamente materialistas e gananciosos, devido ao seu efeito focalizante.

  • Enquanto que uma pequena quantidade promove a função renal, o excesso afecta os rins, interfere com o metabolismo de absorção de cálcio e de nutrientes em geral.

  • Sal em excesso pode também contribuir para um excessivo emagrecimento e um aspecto fraco e emaciado enquanto que nalgumas pessoas produz retenção de líquidos e consequente inchaço.

  • Como o sal tem tendência para atrair líquidos, pode aumentar a pressão arterial e conduzir à hipertensão, em particular quando se utiliza uma grande quantidade de produtos animais na alimentação.

Do que foi escrito até agora, parece evidente que é importante determinar que quantidades utilizar na alimentação diária. Na realidade, a maioria das pessoas utiliza demasiado sal, particularmente sob a forma de ?sal escondido? tão comum nos alimentos modernos como batatas fritas, pão refinado e muito em particular na ?fast food?.

A maior parte das recomendações nutricionais modernas, recomenda o uso de cerca de 3,000 miligramas por dia, enquanto que o adulto médio moderno pode facilmente ingerir 17,000 miligramas por dia, uma quantidade claramente excessiva.

Assim, use o sal com moderação, considere que cada indivíduo tem necessidades e capacidades diferentes de lidar com ele e, acima de tudo, abstenha-se de utilizar o saleiro na mesa, uma forma particularmente nociva de utilização deste ingrediente.A principal razão pela qual o sal tem tão má reputação é provavelmente porque o seu uso é sob a forma de sal refinado, um produto que consiste quase exclusivamente de NaCl ou cloreto de sódio. O sal refinado (o sal que a vasta maioria das pessoas consome) consiste em 99.5% ou mais de cloreto de sódio, com a adição de dextrose (um tipo de açúcar) e produtos químicos para o estabilizarem; para além disso, o sal refinado é geralmente aquecido a altas temperaturas, o que lhe pode alterar a estrutura química.

É de longe preferível utilizar sal marinho integral, que tem mais 4% de outros minerais e oligoelementos, muito importantes para um bom funcionamento do organismo.
 

Curiosidade:

O sal tem desempenhado um aspecto tão crucial na história humana, que a própria palavra salário, significa pagamento em sal, uma vez que os soldados romanos eram pagos com este produto.

O sal foi um bem tão precioso que no séc. VI alguns mercadores do deserto negociavam o sal ao mesmo preço que o ouro.

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Escrito por fitoenergetico em

O deserto dentro de nós

  

A baixa umidade do ar, castiga o corpo pra valer. Olhos, nariz e garganta ressecados viram porta de entrada para vírus e bactérias, os rins não funcionam direito, a pele ganha aspecto envelhecido. Saiba como aliviar a situação

Inverno tórrido, primavera gelada. No Brasil inteiro acentuadamente no Centro-Oeste e no Sudeste , não apenas as temperaturas destrambelhadas, mas também o ar extremamente seco denunciam a ação nefasta do homem, que agora sente na pele (e no resto do corpo) as conseqüências dos maus-tratos ao meio ambiente.

“Na secura, o desgaste do organismo é tremendo”, assegura Paulo Saldiva, pesquisador do Centro de Poluição da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Isso porque todo ele se mobiliza para manter a homeostase, ou seja, o estado de equilíbrio interno (veja os infográficos abaixo).

Num primeiro momento surgem o que parece apenas pequenos desconfortos, como dores de cabeça e tonturas. Ao longo dos anos, porém, esses incômodos se somam e causam graves malefícios.

Nas grandes cidades, a estiagem, piorada pela poluição, afeta especialmente os sistemas respiratório e circulatório. “No longo prazo o corpo sofre os mesmos danos provocados pelo cigarro”, garante Saldiva.

“Os olhos, porém, é que são os primeiros a sentir a influência do ar seco”, diz o oftalmologista Newton Kara José, professor da Universidade de São Paulo e da Universidade de Campinas, a Unicamp, no interior paulista.

“Isso porque a mucosa ocular é a mais exposta ao ambiente externo. Na falta de umidade, o filme lacrimal, uma leve partícula de água que recobre os olhos, evapora-se muito rápido”, explica o mestre em visão.

“Você logo sente coceira e a reação natural é esfregar as pálpebras, o que piora tudo, porque provoca lesões”, acrescenta. Sem contar o risco de contaminação por microorganismos levados pelas mãos. Uma das conseqüências costuma ser a conjutivite.

No pronto-socorro

O Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, e o Centro de Pesquisas Meteorológicas Aplicadas à Agricultura, da Unicamp, andam investigando as internações provocadas pelo clima seco.

“Sabemos que a procura por socorro médico cresce, mas precisamos entender o porquê, além de identificar quem precisa de maiores cuidados, até para aparelhar o pronto-atendimento”, afirma Bento Cardoso dos Santos.

O que se nota é que a estiagem leva mais crianças com problemas respiratórios ao hospital, enquanto o clima muito frio provoca internação de idosos com males circulatórios. Ou seja, em princípio os pequenos são as maiores vítimas de tanta secura. Mais prontuários serão avaliados para que se possa elaborar uma agenda de ações preventivas.

Termômetro desregulado

O calor do nosso corpo é controlado pelo cérebro, graças a um sistema que, no fim das contas, usa basicamente a água para manter a temperatura interna adequada.

Se a umidade do ar diminui, esse sistema dispara sinais para o corpo poupar água. E, conseqüentemente, sem dispor de tanto líquido para baixar o calor onde for preciso, nosso termômetro interno fica destrambelhado.

Dentro do corpo

O organismo, esperto, tenta se readaptar para sofrer menos durante a estiagem. Mas nem sempre dá certo

Crie um oásis para o seu corpo

Sem medidas preventivas, numa espécie de efeito dominó, nariz, boca, garganta e brônquios são afetados. A mucosa nasal fica tão ressecada que pequenos vasos se rompem e sangram. Para piorar, aparecem feridas pequeninas que funcionam como porta de entrada para vírus e bactérias.

“E os pêlos nasais, cuja função é filtrar as partículas do ar, deixam de cumprir direito esse papel protetor, já que perdem a lubrificação”, explica Antonio Menon, otorrinolaringologista do hospital Sério Libanês, em São Paulo.

O efeito deserto segue para a garganta, que quase invariavelmente fica irritada. Engolir, então, passa a ser a maior dificuldade, principalmente para bebês e idosos. Aí vem a tosse, que agrava o quadro, numa bola-de-neve que cria acessos cada vez mais fortes.

Se as defesas estiverem em baixa, surgem laringites e faringites severas. Nos casos extremos, os brônquios são afetados. “Não à toa, as famosas bronquites lotam os pronto-socorros”, afirma Menon. Sem falar nas crises alérgicas e asmáticas.

Isoladamente, essas pequenas ocorrências já são uma grande chateação. Juntas, nem se fala. A saúde pode acabar seriamente afetada. “Sofre mais quem vive nos grandes centros urbanos, mas o corpo de certa forma se adapta a todas essas agressões”, contemporiza Ricardo Tardelli, diretor estadual de saúde na Secretaria de Estado da Saúde São Paulo.

O.k., mas não é tão simples: essa adaptação tem um preço e é isso o que preocupa. “Estaremos submetidos às más condições atmosféricas por muito tempo ainda. Então precisamos reduzir as conseqüências desses distúrbios”, diz o nefrologista Bento Cardoso dos Santos, da Universidade Federal de São Paulo e do Hospital Albert Einstein. Que tal começar agora? Procure adotar as recomendações abaixo.

Aprenda a aliviar os estragos provocados pela falta de umidade

1. Use colírio

Sem indicação do oftalmologista, só vale o produto que imita a composição da lágrima há diversas marcas disponíveis no mercado. É possível optar por soro fisiológico, mas então só compre as ampolas descartáveis. Ao serem destampados, os grandes frascos de soro podem ter seu conteúdo contaminado com o toque das mãos.

2. Pingue solução salina no nariz

Na estiagem a respiração fica difícil porque o nariz se entope mais facilmente, o que interfere na qualidade do sono. Para não acordar cansado, use algumas gotas de soro no nariz antes de dormir. É mais seguro comprar a solução apropriada para isso na farmácia, já que é estéril e não apresenta contra-indicações.

3. Alimente-se bem

As frutas são recomendáveis, sobretudo as que têm mais água, como melão, uva e melancia. Evite as comidas com muito sal e outros condimentos.

4. Cuidado com os esportes

Evite praticar atividades físicas entre 10h e 16h, especialmente se a temperatura estiver alta. Ora, no ar seco seu corpo precisa economizar água e o exercício vai fazer você suar e perder líquido. Fuja das ruas de grande movimento, onde se concentra maior quantidade de poluentes.

5. Tome muita, muita água mesmo

Não há uma quantidade mínima, mas lembre-se de beber um copo sempre que notar a boca seca. No caso de bebês ou idosos deve-se oferecer líquido constantemente, já que eles estão mais sujeitos à desidratação gente madura, aliás, por natureza não sente muita sede, aumentando esse risco. Sucos naturais também são bem-vindos.

6. Espalhe bacias de água no quarto

Sim, isso não deixa de ajudar. Mas prefira as que têm superfície maior para permitir uma boa evaporação.

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A compreensão do gesto

  

Respirar, sentir, movimentar-se. Assim, cada um de nós intensifica o contato com o corpo e o ajuda a liberar emoções reprimidas e dores físicas. Essa foi a conclusão de Alexander Lowen, pai da bioenergética, uma corrente de terapia corporal para a qual o corpo sempre fala a verdade.

Preste atenção em sua respiração. Você inspira pelo peito ou pelo abdômen? Como solta o ar ? Rápida ou lentamente ? É isso mesmo. As pessoas quase nunca observam como inspiram e expiram.

Essa análise do corpo humano é um dos pilares da bioenergética, uma linha de psicoterapia criada pelo médico americano Alexander Lowen entre as décadas de 1940 e 50. Para ele, ter o corpo vibrante e saudável é a chave de uma vida feliz. E isso nada tem a ver com malhação ou condicionamento físico orientado por caminhadas e exercícios aeróbicos e anaeróbicos.

O que Lowen descobriu é que toda musculatura contraída tem uma emoção guardada. E por isso, quando o corpo é exercitado e relaxado, ele consegue liberar emoções reprimidas, minimizando também os medos, as inseguranças e até a dor física.

O resumo deste trabalho, que revê a importância do corpo, acabou de sair em livro no Brasil: é a autobiografia de Lowen, Uma Vida para o Corpo (ed. Summus). A obra foi concluída em 2004, antes de o médico sofrer o derrame cerebral que tirou boa parte de sua fala e mobilidade aos 96 anos.

O QUE O CORPO ENSINA À MENTE E VICE-ERSA

Antes da bioenergética propriamente dita, nasceu a terapia corporal pelas mãos do psicanalista húngaro Wilhelm Reich, ex-discípulo de Freud (o pai da psicanálise), que resgatou a importância do corpo para a compreensão das emoções e dos sentimentos.

“Freud se preocupava com o que o paciente falava e Reich observava como ele falava, analisando sua respiração e expressão corporal”, diz o médico e psicoterapeuta Ricardo Amaral Rego, diretor do Instituto Brasileiro de Psicologia Biodinâmica.

Reich rompeu com a separação entre corpo e mente, tão comum nas terapias de então. Ele compreendeu que o que afeta o corpo repercute na mente, e vice-versa. Também passou a estudar como o corpo é regido e conduzido por uma energia que ele batizou de orgônio- conhecida por ch’i na medicina tradicional chinesa e por prana pelos hindus.

O trabalho de Reich era inovador para a psicanálise e para a sociedade ocidental, pois defendia que a vitalidade dessa energia contribui para o bem-estar do ser humano. Empolgado, ele mergulhou em pesquisas para descobrir a origem dessa energia e deixou aberto o campo para estudos da correlação mente/corpo.

“Nesse vácuo, Lowen, ex-paciente e aluno de Reich, encontrou espaço para sistematizar o trabalho do mestre”, explica o psicoterapeuta Rubens Kignel, de São Paulo.

ENERGIA VIBRANTE

Lowen partiu do princípio de que a boa relação entre corpo, mente e energia é a base para uma vida plena. Na prática, se a pessoa está triste devido a uma perda, ela se sente enfraquecida para reagir porque o organismo não produz a energia de que ela precisa para se animar.

Por isso, o terapeuta acredita ser difícil alguém deprimido ficar bem e pensar positivamente se seu nível de energia estiver baixo. Aí entra a análise bioenergética: para resolver o descompasso. A fórmula conta com um equilíbrio na equação mente/corpo/energia, com base no estudo dos estados emocionais e energéticos do corpo.

Numa sessão de bioenergética, além de conversar como em qualquer outro tipo de psicoterapia, o terapeuta pede que o paciente faça alguns exercícios físicos. O objetivo é destravar tensões musculares- geradas por estresse, tristeza, ansiedade e problemas psicológicos- e levar a pessoa a respirar livremente, já que a emoção interfere no fluxo respiratório.

“Por conta dos seus problemas emocionais, um paciente pode aprisionar a respiração, isto é, entrar num padrão de inspirações e expirações curtas e apressadas, que tensionam os músculos e distanciam o indivíduo do contato com o seu corpo”, afirma Liane Zink, diretora do Instituto Brasileiro de Análise Bioenergética, ex-aluna de Lowen. Os exercícios da bioenergética colaboram para a respiração fluir novamente.

PRESENTE NA VIDA

O resultado da terapia é um ser humano mais integrado consigo mesmo, seus desejos, sua verdade e, conseqüentemente, mais presente em tudo o que acontece na vida. “Diminui aquela sensação de estar sendo levado pelos acontecimentos, de viver no piloto automático”, considera Rubens Kignel.

Essa consciência é trabalhada por meio do conceito de grounding (o fundamento mais importante da bioenergética), que significa “estar enraizado”. Para sentir o corpo enraizado, Lowen desenvolveu exercícios  que mesclam respiração e posturas.

“Após esses exercícios, a pessoa percebe que está inteira numa relação- seja ela amorosa, de trabalho, com os filhos ou com seus valores. O grounding pode mostrar os medos do paciente, fazendo-o enfrentá-los”, explica Liane.

Estar cheio de vida e energia é a idéia loweniana de saúde física e mental. Manter essa ligação dá ao ser humano a possibilidade de se expressar livremente e alcançar a graciosidade. Afinal, como o pai da bioenergética diz: “Na ausência do sentir, o movimento se torna mecânico e as idéias se tornam abstrações”.

Se é verdade que alguns distúrbios diminuem a graça do corpo e debilitam sua saúde, também é fato que o resgate dessa graça recupera o bem-estar. “O paciente aprende a estar com o melhor de si e a aceitar que existem incompletudes, mas que é possível viver em harmonia assim”, afirma Kignel.

OUTRAS LEITURAS DOS MOVIMENTOS

Além de Alexander Lowen, outros psicoterapeutas neo-reichianos desenvolveram trabalhos importantes no campo da terapia corporal, como a biodinâmica e a biossíntese.

Biodinâmica

Foi criada no fim da década de 1960 pela psicóloga e fisioterapeuta norueguesa Gerda Boyesen. “Ela desenvolveu uma terapia mais suave e maternal que a bioenergética. As sessões misturam fala e exercícios, mas a parte física é menos incisiva que na terapia de Alexander Lowen. A técnica trabalha as questões do paciente com mais leveza e resgata a criança interior”, explica Ricardo Amaral Rego, diretor do Instituto Brasileiro de Psicologia Biodinâmica.

Dado o vasto conhecimento de Gerda sobre as características da musculatura, ela desenvolveu um método de massagem que visa desbloquear músculos e tecidos do corpo.

Biossíntese

Com base no estudo do desenvolvimento do feto na década de 1970, o pedagogo e psicoterapeuta inglês David Boadella entendeu a influência que o feto recebe da mãe e do meio ambiente e concebeu dois conceitos fundamentais da biossíntese- o útero receptivo e o útero rejeitador ao bebê.

Dependendo de como foi a relação mãe/feto, o bebê pode se tornar um adulto receptivo ou rejeitador a pessoas, situações e desafios da vida. “Boadella também desenvolveu conceitos de movimento e postura. Cada uma delas está ligada a situações de abrir-se e fechar-se a si e ao mundo”, explica o psicoterapeuta Rubens Kignel.

Independentemente da linha, o fato é que as terapias corporais se mostram muito úteis para levar o homem a olhar mais para seu corpo e compreender que o bem-estar físico e mental são unos e uma valiosa ferramenta para o entendimento de si próprio.

Preste atenção em sua respiração. Você inspira pelo peito ou pelo abdômen ? Como solta o ar ? Rápida ou lentamente? É isso mesmo. As pessoas quase nunca observam como inspiram e expiram.

Essa análise do corpo humano é um dos pilares da bioenergética, uma linha de psicoterapia criada pelo médico americano Alexander Lowen entre as décadas de 1940 e 50. Para ele, ter o corpo vibrante e saudável é a chave de uma vida feliz. E isso nada tem a ver com malhação ou condicionamento físico orientado por caminhadas e exercícios aeróbicos e anaeróbicos.

O que Lowen descobriu é que toda musculatura contraída tem uma emoção guardada. E por isso, quando o corpo é exercitado e relaxado, ele consegue liberar emoções reprimidas, minimizando também os medos, as inseguranças e até a dor física.

O resumo deste trabalho, que revê a importância do corpo, acabou de sair em livro no Brasil: é a autobiografia de Lowen, Uma Vida para o Corpo (ed. Summus). A obra foi concluída em 2004, antes de o médico sofrer o derrame cerebral que tirou boa parte de sua fala e mobilidade aos 96 anos.

O QUE O CORPO ENSINA À MENTE, E VICE-VERSA

Antes da bioenergética propriamente dita, nasceu a terapia corporal pelas mãos do psicanalista húngaro Wilhelm Reich, ex-discípulo de Freud (o pai da psicanálise), que resgatou a importância do corpo para a compreensão das emoções e dos sentimentos.

“Freud se preocupava com o que o paciente falava e Reich observava como ele falava, analisando sua respiração e expressão corporal”, diz o médico e psicoterapeuta Ricardo Amaral Rego, diretor do Instituto Brasileiro de Psicologia Biodinâmica.

Reich rompeu com a separação entre corpo e mente, tão comum nas terapias de então. Ele compreendeu que o que afeta o corpo repercute na mente, e vice-versa. Também passou a estudar como o corpo é regido e conduzido por uma energia que ele batizou de orgônio- conhecida por ch’i na medicina tradicional chinesa e por prana pelos hindus.

O trabalho de Reich era inovador para a psicanálise e para a sociedade ocidental, pois defendia que a vitalidade dessa energia contribui para o bem-estar do ser humano. Empolgado, ele mergulhou em pesquisas para descobrir a origem dessa energia e deixou aberto o campo para estudos da correlação mente/corpo.

 

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Barulho de mais, saúde de menos

Estresse, insônia e infecções dos mais diversos tipos compõem a lista de encrencas que a poluição sonora pode causar

Decibéis muito acima do tolerável ocupam hoje o terceiro lugar no ranking de problemas ambientais que mais afetam populações do mundo inteiro, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) — a poluição do ar e a da água estão na dianteira. Não se trata de simples incômodo. Barulho mata. Só por infarto, são 210 mil vítimas fatais todo ano — aponta um relatório da OMS que deveria, este sim, sair da surdina para soar em alto volume. “A poluição sonora ainda não recebeu a devida atenção”, lamenta o neurofisiologista Fernando Pimentel-Souza, da Universidade Federal de Minas Gerais, um dos maiores estudiosos brasileiros dos efeitos da poluição acústica na saúde humana.

Com tanto zunzunzum de carros, buzinas, telefones, eletrodomésticos, tocadores de MP3, um número incalculável de pessoas passou a sofrer, além dos óbvios distúrbios auditivos, de dor de cabeça crônica, hipertensão, alterações hormonais e insônia. “Somos assaltados o tempo inteiro por ruídos altíssimos”, nota o otorrinolaringologista Arnaldo Guilherme, da Universidade Federal de São Paulo, a Unifesp. Só para você ter uma idéia, o trânsito em cidades como São Paulo, Belo Horizonte e Salvador alcança facilmente os 80 decibéis, o mesmo que um liquidifi cador ligado a 1 metro de distância. E, de acordo com a OMS, todo e qualquer som que ultrapasse os 55 decibéis já pode ser considerado nocivo para a saúde. “As pessoas não se dão conta do problemão a que estão expostas porque as conseqüências não são imediatas, elas vão se acumulando e só aparecem com o tempo”, diz Guilherme.

Seria preciso viver isolado feito um ermitão para passar incólume pelo estresse acústico, carga de tensão que age como gatilho para todas as encrencas relacionadas à vida moderna e barulhenta. “Como, na prática, isso é impossível para a maioria nos grandes centros urbanos, o corpo entra numa espécie de alerta. A musculatura fica tensionada, o coração dispara, a pressão arterial sobe, o estômago fica cheio de suco gástrico e o intestino trabalha bem devagarinho”, descreve o especialista.

“Muito barulho também provoca grande agitação, além de dificultar a concentração”, afirma o otorrinolaringologista Arnaldo Guilherme. Quem trabalha em locais onde o nível de ruído vai às alturas sabe disso muito bem. “Às vezes a pessoa sente dificuldade para relaxar até quando
chega em casa, de tão elétrica que ficou durante o dia”, completa Guilherme. Tanta excitação assim costuma levar a quadros de hiperatividade, agressividade, mau humor, depressão e até bipolaridade.

NOITES MALDORMIDAS

“Enquanto os outros sentidos descansam durante o sono, os ouvidos, ao contrário, se mantêm em estado de alerta”, explica o engenheiro ambiental Eduardo Murgel, especialista em acústica em São Paulo. Quando os sons não passam dos 35 decibéis — nível encontrado em uma biblioteca, por exemplo —, a noite corre tranqüila e sem sobressaltos. Mas acima disso o sono vai ficando cada vez mais superficial, mesmo que não se chegue a acordar de fato com o barulho.

“Se, durante a noite, o nível de ruído atinge os 75 decibéis, como em uma rua movimentada, há uma perda de 70% nos estágios profundos do descanso, fundamentais para a consolidação da memória e do aprendizado e também para a renovação das células do corpo”, ressalta o neurofisiologista Fernando Pimentel-Souza. Isso explica por que muita gente se sente sonolenta e cansada após passar uma noite em local barulhento. “Pular as etapas de sono profundo deixa a pessoa menos inteligente e criativa”, acrescenta Pimentel-Souza de forma categórica.

PSIUUUUU !

Saiba o que fazer para se proteger de tanto barulho

- Alguns minutos de meditação por dia ajudam a interromper o estresse acústico. Sente-se confortavelmente e procure fi car em silêncio, observando apenas a sua respiração. Deixe os pensamentos passarem por sua cabeça e não tente se concentrar em nenhum deles.

- Quem mora perto de vias movimentadas deve equipar as janelas com vidros duplos, que dificultam a passagem do som. Cortinas e móveis também ajudam a minimizar os ruídos vindos da rua. Outro recurso são os protetores de ouvido feitos de silicone para a hora de dormir. Em certos casos, eles vão bem até no trabalho.

- No trânsito, evite ficar com o som ligado dentro do carro, já que ele compete com a zoeira lá de fora. Se a barulheira for infernal, feche os vidros e ligue o ar. Relaxe, procurando ignorar os sons externos.

CHEEEGA  !

Qualquer som acima dos 55 decibéis é interpretado pelo organismo como uma agressão. Para preparar sua defesa, o cérebro ordena que as supra-renais, glândulas localizadas acima dos rins, liberem boas doses de cortisol e adrenalina, os hormônios do estresse. Esse é o gatilho para uma série de reações:

Órgãos genitais: passam a receber menos sangue. O homem fica com dificuldade de ereção e a mulher pode perder o desejo sexual.

Cérebro: a pressão intracraniana sobe e a cabeça dói. A concentração e a memória ficam prejudicadas pela ação dos hormônios do estresse, que ainda levam a uma sensação de exaustão, gerando agressividade.

Músculos: eles se contraem ao máximo e começam a liberar na corrente sangüínea uma série de substâncias inflamatórias.

Pulmões: a respiração se acelera e esses órgãos passam a funcionar a toda velocidade. Com o tempo, a sensação de cansaço é inevitável.

Coração: ele começa a bater rapidamente e de maneira descompassada. Os vasos sangüíneos se contraem e a pressão arterial sobe. O risco de infarto e derrame cresce.

Sistema digestivo: o estômago passa a fabricar suco gástrico além da conta, o que pode levar à gastrite e à úlcera. Já o intestino praticamente trava. O resultado é prisão de ventre.

Decibéis muito acima do tolerável ocupam hoje o terceiro lugar no ranking de problemas ambientais que mais afetam populações do mundo inteiro, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) — a poluição do ar e a da água estão na dianteira. Não se trata de simples incômodo. Barulho mata. Só por infarto, são 210 mil vítimas fatais todo ano — aponta um relatório da OMS que deveria, este sim, sair da surdina para soar em alto volume. “A poluição sonora ainda não recebeu a devida atenção”, lamenta o neurofisiologista Fernando Pimentel-Souza, da Universidade Federal de Minas Gerais, um dos maiores estudiosos brasileiros dos efeitos da poluição acústica na saúde humana.Com tanto zunzunzum de carros, buzinas, telefones, eletrodomésticos, tocadores de MP3, um número incalculável de pessoas passou a sofrer, além dos óbvios distúrbios auditivos, de dor de cabeça crônica, hipertensão, alterações hormonais e insônia. “Somos assaltados o tempo inteiro por ruídos altíssimos”, nota o otorrinolaringologista Arnaldo Guilherme, da Universidade Federal de São Paulo, a Unifesp. Só para você ter uma idéia, o trânsito em cidades como São Paulo, Belo Horizonte e Salvador alcança facilmente os 80 decibéis, o mesmo que um liquidifi cador ligado a 1 metro de distância. E, de acordo com a OMS, todo e qualquer som que ultrapasse os 55 decibéis já pode ser considerado nocivo para a saúde. “As pessoas não se dão conta do problemão a que estão expostas porque as conseqüências não são imediatas, elas vão se acumulando e só aparecem com o tempo”, diz Guilherme.

Seria preciso viver isolado feito um ermitão para passar incólume pelo estresse acústico, carga de tensão que age como gatilho para todas as encrencas relacionadas à vida moderna e barulhenta. “Como, na prática, isso é impossível para a maioria nos grandes centros urbanos, o corpo entra numa espécie de alerta. A musculatura fica tensionada, o coração dispara, a pressão arterial sobe, o estômago fica cheio de suco gástrico e o intestino trabalha bem devagarinho”, descreve o especialista.

“Muito barulho também provoca grande agitação, além de dificultar a concentração”, afirma o otorrinolaringologista Arnaldo Guilherme. Quem trabalha em locais onde o nível de ruído vai às alturas sabe disso muito bem. “Às vezes a pessoa sente dificuldade para relaxar até quando
chega em casa, de tão elétrica que ficou durante o dia”, completa Guilherme. Tanta excitação assim costuma levar a quadros de hiperatividade, agressividade, mau humor, depressão e até bipolaridade.

NOITES MALDORMIDAS

“Enquanto os outros sentidos descansam durante o sono, os ouvidos, ao contrário, se mantêm em estado de alerta”, explica o engenheiro ambiental Eduardo Murgel, especialista em acústica em São Paulo. Quando os sons não passam dos 35 decibéis — nível encontrado em uma biblioteca, por exemplo —, a noite corre tranqüila e sem sobressaltos. Mas acima disso o sono vai ficando cada vez mais superficial, mesmo que não se chegue a acordar de fato com o barulho.

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